A MARCA

Nascida no Rio de Janeiro, M. Pondé busca o campo da contemporaneidade no design de joias, explorando em suas texturas e formas a casualidade como inspiração. Formada em arquitetura, Monica Pondé desenvolveu seu olhar para as formas das construções urbanas e a complexidade de suas estruturas. O diálogo visual entre a dureza do concreto dos prédios com o relevo orgânico da Floresta da Tijuca é cenário para a arquiteta elaborar a sua narrativa. 
 
Com o passar do tempo, os projetos arquitetônicos foram mudando de escala para objetos de design de menor dimensão. O estudo dos metais e como eles podem ser manipulados a levaram para o universo das joias.  
 
A topografia enigmática da mata atlântica banhada pelo mar propõe reflexões: quais são os limites entre o que é sólido e o que é líquido? E o destoante conflito entre o geométrico e o orgânico. Os granitos gigantescos cravados no Rio de Janeiro trazem a intervenção de milhões de anos em suas superfícies, esculpidas pela oxidação, o vento, a chuva e o mar. A ação do tempo e seus efeitos naturais são uma grande fonte de inspiração.
 
A marca convida a pensarmos suas joias como algo espontâneo e despretensioso. A simplicidade como traço. E o despojamento das peças que, com o uso, vão ganhando identidade. A prata recebe um acabamento fosco, de efeito abrasivo, desenvolvido através de jatos de areia e finas lixas sobre o metal. Com martelos de ourivesaria, a textura amassada reproduz o uso e a reminiscência do tempo em cada peça.
 
A amálgama de heranças culturais brasileiras, que surgem através de braços da história europeia, africana e indígena, norteia os simbolismos presentes no design das joias. Essa fusão reconstruída em formas, pingentes e trançados se torna uma pesquisa dentro do universo da memória afetiva. As pratarias, os amuletos, o couro, a madeira de demolição e o macramê. Herança da cestaria indígena, o macramê é um trançado elaborado artesanalmente com couro e palha de buriti. Essas matérias-primas são mescladas à prata, adicionando rusticidade ao metal nobre.
 
M. Pondé está dedicada à experimentação em cada etapa do processo de produção. Como a prata 950 reciclada e o ouro respondem às intervenções. As possibilidades das ferramentas e os efeitos inesperados que podem levar a novos resultados. E de que maneira a casualidade afeta texturas e formas.
 
Texto por 
Marc de Blake